
Tem mais espaço do que eu preciso
e tantas cores quanto eu tenho sonhos
Resumo do que quero e temo. Obra minha
Esvaziei as prateleiras e encaixotei tudo. E todos.
Cada pedaço de mim, cada livro – pedaço de alguém
A raquítica de branco e azul sempre disse
que estas paredes me traríam sorte. Trouxeram.
Em quadrados de madeira, em cabelos estranhos
em cigarros proibidos, em corpos quase santos
em aspirações e velhas utopias
paixões e retratos do pleno desapego
no que podia e não podia, podendo.
Eu vou sempre como se fosse voltar
Mesmo sabendo que não há volta
E me diz, quem sabe se despedir?