Dito, pelo não dito
Digo.
duas, três, quatro palavras de alívio.
Se o corpo não fala
sentença clara que se faça entender
é melhor ser didática.
“is a losing game”, diz a maluca talentosa.
Eu, teimosa custosa,
vou de experiência própria
e pago pra ver…
vai resolver as coisas
vai tirar a roupa da chuva
e a panela do fogo
eu fico aqui na rede que eu mesma comprei
até o sol sumir e começar a gear
ouvindo a musica que você compôs na varanda.
vai, vai pensar nos teus calos,
cortar os cabelos e os laços
que eu espero,
espero mesmo
mas só até o sol resolver reaparecer…
moe tudo, tudo junto…
assim,
deixa sobrar nada não.
tudo junto, até as aspas
transforma td em farinha
come não.
cheira!
que é pra voltar tudo pro âmago
isso mesmo,
ali, onde ninguém pode tirar.

Por Ana Mokarzel
A chuva vai de machadiana à apocalíptica.
Dentro, três ou quatro ‘eus’ brigam pelas decisões que não precisam tomar.
-Ei, deixa pra vida resolver, pra essa chuva lavar a roupa pendurada no varal de chão da varanda, deixa pros encanadores consertarem o pinga-pinga na pia da cozinha… Deixa.
Observa o domingo depois da corrida, o cheiro da terra úmida e o rosto e o peito que ainda dormem. Observa a vontade que te dá. Boa só por ser…
Deixa a garoa fina ensopar os ossos e refazer o mundo.

Por Musa
Respira.
Aspira, expira…
me inspira.